Escolha do Garanhão

INTRODUÇÃO DO TRABALHO PREMIADO NO CONCURSO DE LITERATURA VETERINÁRIA DE 1949 EM PORTUGAL.

(POR JOSÉ MONTEIRO)

SELEÇÃO FUNCIONAL E MORFOLÓGICA DE GARANHÕES:

Na escolha de um reprodutor devemos lançar mão de dois meios: primeiro - incidindo sobre a apreciação Fenotípica ou individual e, segundo - sobre a apreciação Genotípica.

Para o conhecimento deste entramos com a ascendência do garanhão (árvore genealogia, stud - book, pedigree) e com a descendência.

Como se compreende, o conhecimento da descendência é o fim para que se tende e é a prova real e insofismável do valor genotípico do reprodutor.

O primeiro, incide sobre a apreciação individual partindo do princípio que um bom indivíduo, oferece maiores garantias de êxito aos descendentes que hão - de herdar (supondo que herdam) as qualidades .

Ele é necessário, indispensável mesmo, na escolha de um animal, mas não é suficiente para a eleição de um reprodutor.

O segundo, mais do que um meio, um fim, assenta sobre o valor genotípico ou potencial hereditário do reprodutor.

Este transmitirá com maior ou menor fixidez determinado carácter ou grupo de caracteres.

No primeiro ainda devemos fazer distinção entre uma apreciação estática (-Morfológica) e uma dinâmica (-Aptidão Funcional).

Como sabemos, principalmente em cavalos, a uma boa descrição somática nem sempre corresponde um bom funcionamento. E isto por duas razões: PRIMEIRO, PORQUE O "EQUOS CABALUS" TAL COMO O "HOMO SAPIENS", É UM SER ANIMADO PELO PRINCÍPIO DIVINO DA VIDA, O QUAL NO SEU ARRANJO ÍNTIMO, NA SUA ESSÊNCIA, ESCAPA AO FISIOLOGISTA E AO E AO BIOLOGISTA;

Segundo, porque a constituição neuro - humoral, a qualidade intrínseca da fibra muscular, o "quantum" de energia de que a vontade dispõe para realizar essa mesma vontade, ligados ainda a factores psíquicos que não podem negar - se aos animais, são outros tantos elementos que influenciam o rendimento da maquina animal e que por vezes nos surpreendem ou decepcionam.

Muito embora a descrição somática, as proporções, o tipo constitucional, numa palavra, a beleza física, dependam e estejam intimamente ligados ao melhor ou pior funcionamento dos vários aparelhos e glândulas de secreção interna, a verdade é que, apesar disso, na prática e por razões que ainda não dominamos, nem sempre se observa esta relação:

BOA MAQUINA = BOM FUNCIONAMENTO.

Todos nos temos visto cavalos mal proporcionados, mal ligados, com índices inferiores à média, realizarem melhor, que outros aparentemente bem dotados, determinados exercícios.

E assim, a melhor maneira de apreciar um cavalo como indivíduo, é experimentá-lo e a melhor maneira de apreciar um cavalo como reprodutor, é experimentar os filhos.