Por que não? O que estamos esperando?


Wilson Ricciluca Junior Criador e Diretor do Haras Mineral 

Por que não? O que estamos esperando? Já é hora de fazer como nas “Raças Modernas”. Por que não avaliar o nosso Cavalo de duas maneiras distintas? Premiar as particularidades especificas, e assim, explorar esta maravilho diversidade de tipos do Puro Sangue Lusitano. 

Atualmente premiamos apenas os exemplares típicos de torneio, deixando excelentes cavalos às margens de um reconhecimento nas Exposições morfofuncionais. 

Por que não fazer as Exposições, isto é, os Concursos morfofuncionais do Cavalo Lusitano separando-os em modalidades específicas? Faríamos, por exemplo, os concursos morfofuncionais do Cavalo Lusitano, sempre visando aos sinais raciais e protegendo a autenticidade do nosso cavalo. Todos sabemos a Grande Diversidade de aptidões e de formas da raça, sem dúvida, nossa Maior Riqueza. Por isso, devemos valorizar cada vez mais o Lusitano dentro de suas vocações várias coerentes com os seus tipos morfológico-funcionais. 

Dividiríamos estes Concursos em duas categorias: 

  1. Cavalo do tipo de Toureio (tradicional)
  2. Cavalo do tipo de Dressage, CCE (esporte)

O Cavalo Lusitano do tipo de Toureio: tem estatura de media para pequena, com movimentos ágeis; partidas e reuniões rápidas e bruscas, estrutura óssea de media para fina, temperamento vivo, sempre espera do comando do cavaleiro e do movimento do touro. Sempre pronto a uma transição de direção ou de velocidade. Um cavalo mais proposto ao galope e menos no trote, mais aos movimentos de reunião e menos aos de extensão. 

É fácil perceber as aptidões principais deste cavalo aos assistirmos as belíssimas touradas a cavalo em Portugal. 

O Cavalo Lusitano do tipo de Dressage (CCE) com maiores aptidões para os esportes olímpicos tem estrutura de média para alta; movimentos ágeis, equilibrados, cadenciados e bem definidos; estrutura óssea de média para magro, temperamento vivo a esperar o comando de seu cavaleiro e apenas o comando do seu cavaleiro. É o cavalo que se propõe igualmente ao passo, ao trote e ao galope, propõe se a movimentos de extensão e reunião, quase na mesma proporção. 

É fácil perceber as aptidões principais deste tipo de cavalo quando assistimos, em todo o mundo, aos belíssimos concursos de Dressage, Salto e CCE. 

O Cavalo de Toureio tem um olho no touro e outro no ginete, se submete-se às ajudas do segundo, não deixa de cuidar do primeiro, pois há o fator sobrevivência. Enquanto, no Dressage, busca-se um cavalo com os dois olhos postos no cavaleiro, com total concentração aos exercícios exigidos. Eis, então, duas atitudes distintas. 

Imagine-se um comparativo: há tenistas especialistas em quadras de saibro, isso é, piso lento, e outros epecialistas em quadras rápidas, piso duro. Dois tipos distintos de jogadores, um com movimentos mais amplos e lentos, e outro com movimentos mais curtos e rápidos. 

Todos conhecemos os notáveis Novilheiro e Opus, dois expoentes da Raça Lusitana, “irmãos inteiros” (de pai e mãe), cada um com uma aptidão diferente, com um tipo físico (morfológico) diferente, com temperamentos diferentes, eles foram os melhores nas suas modalidades, às quais tinham aptidões próprias. 

Divaguemos um pouco. Pensemos troca-los de lugar: levar Novilheiro aos touros e Opus às pistas. Sem duvida, sairiam-se bem. Mas não seriam os melhores, como de fato foram em suas especialidades. 

Portanto, pareceria-nos corretor que as Exposições reconhecessem os novos cavalos em todas as suas aptidões, valorizando-se, cada vez mais, o Cavalo Lusitano internacionalmente.